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Cabelo

O couro cabeludo cobre a caixa craniana e distingue-se da pele que cobre o resto do corpo, pela abundante presença de folículos pilosos, rede vascular e nervosa e pela densidade de glândulas sebáceas e sudoríparas. 

O couro cabeludo está dividido em três camadas:

  • Epiderme, com uma espessura de 1mm, é a camada superior da pele. É formada por queratinócitos, que depois originam os corneócitos do estrato córneo, a parte visível da pele. Os queratinócitos são formados constantemente na camada mais profunda da epiderme (camada basal), vão-se modificando até de transformarem em corneócitos, as células mortas que formam a barreira protetora da pele. Perto da camada córnea os queratinócitos produzem os lípidos que formam o filme hidrolipídico que mantém a água nas camadas superiores da epiderme. O seu pH é ligeiramente ácido e protege o equilíbrio da flora cutânea.
  • Derme, com 1 a 3mm de espessura, abriga os bulbos pilosos, as glândulas sebáceas e sudoríparas, a rede vascular e nervosa. É muito rica em tecido conjuntivo que assegura a hidratação e as trocas.
  • Hipoderme, a camada mais profunda contém células que armazenam gordura, que têm como função isolar o corpo e armazenar energia.

A glândula sebácea produz sebo: uma mistura de corpos gordos que protegem a pele e a cutícula do cabelo e assegura a retenção de água.
A quantidade de sebo é afetada por:

  • Densidade das glândulas;
  • Fatores genéticos;
  • Fatores hormonais;
  • Sexo e
  • Idade

A glândula sudorípara produz o suor. Esta participa na regulação da temperatura corporal, eliminação de água e sais minerais e substâncias orgânicas. O suor hidrata e refresca a pele e ao misturar-se com o sebo forma o filme hidrolipídico.

O cabelo (pêlo) é considerado um "órgão" com função e vida próprias. É formado por duas partes:

  • Raiz e
  • Haste.

A raiz  está implantada a 5 mm dentro do couro cabeludo dentro do folículo piloso. A parte mais profunda é o bulbo, onde se situa a papila dérmica, responsável pela nutrição do pêlo. Nesta parte do pêlo os queratinócitos multiplicam-se ativamente e à medida que sobem tornam-se queratinizadas. É no bulbo que os queratinócitos recebem a melanina que protege dos raios UV e dá a cor ao cabelo.

As bainhas rodeiam o bulbo e guiam o pêlo do seu trajeto. A forma e orientação das bainhas determina a natureza do cabelo (liso ou ondulado). Cada folículo está associado a glândulas sebáceas que secretam o sebo que lubrifica e torna o cabelo maleável e brilhante.

A haste é composta por células mortas solidificadas pela queratina e tem três camadas:

  • Cutícula, uma estrutura em camadas de células planas queratinizadas e não pigmentadas. É muito sólida e constituí a camada protetora;
  • Córtex, composto por células pigmentadas e com longas cadeias de queratina. A cisteína (aminoácido sulfurado) é abundante na queratina e confere força e elasticidade ao cabelo;
  • Medula, a camada mais interna contém células córneas pouco coesas. Não é pigmentada.

Estrutura molecular do cabelo

É constituído por proteínas, principalmente a queratina (proteína fibrosa), lípidos, minerais e alguma água. Contém um pigmento que é a melanina.

Queratina: confere a solidez e extensibilidade ao cabelo. É uma proteína fibrosa, insolúvel, cujas ligações são feitas por pontes salinas e cisteínicas constituídas por dois átomos de enxofre.

Melanina: pigmento que dá cor ao cabelo. É um polímero insolúvel na maioria dos solventes e pouco reactivo. Sensível à oxidação e a soluções alcalinas.

Propriedades do cabelo:

  • Solidez: cada cabelo suporta até 100g;
  • Elasticidade: 30% nos cabelos secos e 100% nos molhados;
  • Eletricidade: fricção e champôs detergentes eletrificam;
  • Poder de absorção: absorve até 1/3 do peso em água;
  • Plasticidade: pode deformar-se quando associados tração, calor e humidade (brushing, permanente).

Ciclo de vida do cabelo

O cabelo tem um ciclo de vida de aproximadamente 4 anos. Durante este período o cabelo passa por diferentes fases:

  • Na primeira fase, fase anágena, as células matriciais multiplicam-se e originam a haste capilar. O cabelo cresce aproximadamente 12mm por mês. Este período dura aproximadamente  3 a 4 anos;
  • Na fase catágena o cabelo deixa de crescer e a raiz degenera. O folículo ascende à superfície e o bulbo queratiniza-se. Fase que dura 10 dias;
  • A última fase, fase telogénea, que dura 5 a 6 meses, corresponde à morte do cabelo. O cabelo é expulso pelo novo que o vais substituir. É normal que caiam 65 a 80 cabelos por dia.

O bulbo piloso está programado geneticamente para fazer 20 a 25 ciclos. A densidade e o volume do cabelo dependem da duração e do número de ciclos.

Para crescer o cabelo precisa de vitamina A, Vitaminas B, a.a. cisteína e metionina e ferro. Quando há carência destas vitaminas e nutrientes pode haver uma queda anormal de cabelo. Na gravidez, por exemplo, em que as vitaminas são direcionadas para a alimentação do feto é vulgar haver uma queda anormal do cabelo.

Avalie em que estado está o  seu cabelo. Faça um teste de despiste rápido:

Teste Capilar

Queda do cabelo

O que pode provocar a queda do cabelo?
  • O uso de elásticos e  tranças poderão provocar alopecias (calvice) de tração;
  • Dietas desequilibradas que não fornecem os nutrientes necessários ao cabelo;
  • Distúrbios de origem nervosa, stress.
Não provoca a queda do cabelo.

As lavagens frequentes não provocam queda de cabelo. Apenas caem os cabelos que estão na última fase de vida. O corte também não fortalece o cabelo. O uso de produtos cosméticos de fraca qualidade não provocam queda, o mesmo não se poderá dizer em relação ao aspecto do cabelo e reação do couro cabeludo.

Alopécia reacional

Afeta principalmente as mulheres. Tem um início repentino e dura algumas semanas ou meses. Apesar de temporária manifesta-se por uma diminuição do volume da cabeleira. Pode originar queda crónica.

Causas:
  • Stress;
  • Fadiga física;
  • Parto;
  • Doenças, febre ou acidentes;
  • Medicamentos;
  • Dietas desequilibradas;
  • Carência de vitaminas e sais minerais.

 

Alopécia androgénica

A alopécia (calvice) é maioritariamente um problema masculino, mas afeta também algumas mulheres. A alopécia androgénica consiste na diminuição do cabelo e pode começar por uma diminuição da espessura.

Esta queda do cabelo tem uma origem genética. Manifesta-se mais tarde na mulher do que no homem. Pode iniciar entre os 18 e os 20 anos, no homem. É uma queda discreta e imperceptível que afeta a cabeleira na espessura do cabelo e na quantidade de cabelos a nascer. A fase de anagénese é curta e a pausa até nascer um novo cabelo é grande.

Causas:
  • Fatores genéticos;
  • Enzima 5a-redutase ativa os androgénios;
  • Inflamação crónica junto ao bulbo;
  • Diminuição da circulação sanguínea.

Tratamentos existentes

Os tratamentos existentes destinam-se a retardar a queda, uma vez que sendo de origem genética é difícil o tratamento.

  • Tratamentos tópicos

Apresentam-se em ampolas ou sprays que se aplicam com ligeira massagem nas zonas a tratar.

  • Tratamento oral

O tratamento oral atualmente existente é apenas para o homem.

Para a mulher existem apenas complementos vitamínicos que completam o tratamento tópico.

  • Implante

Consiste em retirar das zonas em que tem mais cabelo e colocar onde já não existe. é também um método provisório, pois terminando o período de vida do cabelo ele acaba por cair.

Porquê lavar o cabelo?

É necessário lavar o cabelo para eliminar o sebo em excesso, que retém e faz aderir as sujidades: pó, restos de queratina, substâncias orgânicas e minerais do suor e resíduos de produtos para o penteado (laca, gel, etc.)

Como lavar bem o cabelo?

  • Escovar antes de lavar;
  • Molhar abundantemente o cabelo e aplicar o champô no couro cabeludo;
  • Massajar com a ponta dos dedos;
  • Repartir a espuma por toda o cabelo;
  • Deixar atuar 2 a 3 minutos;
  • Passar bem por água
  • Não usar água muito quente, pois retira o sebo em demasia;
  • Efetuar uma segunda aplicação se necessário;
  • Em caso de lavagens frequentes os champôs de tratamento devem ser alternados com champôs de uso frequente.

 

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Página da autoria de Laurentino Moreira (farmacêutico) - Última atualização em 18-out-2016