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Impotência Sexual

O que é a Impotência Sexual ou Disfunção Erétil?

A disfunção erétil, vulgarmente conhecida por impotência sexual, é definida como a incapacidade para obter ou manter uma ereção suficiente de modo a permitir uma atividade sexual satisfatória.

As perturbações da ereção podem ocorrer durante um certo período de tempo, devido por exemplo, a uma preocupação ou a excesso de trabalho. Resolvem-se, normalmente, com um bom descanso ou com a solução do problema, seja familiar ou profissional.

Outras vezes, a diminuição da potência vai-se tornando mais frequente e persistente, dificultando as relações sexuais satisfatórias.

Frequentemente a disfunção erétil ocorre associada a outras formas de disfunção sexual incluindo distúrbios a nível do desejo sexual (líbido), da ejaculação precoce ou retardada, e do orgasmo, os quais são muitas vezes confundidos e erroneamente diagnosticados como falha erétil.

A disfunção erétil é frequentemente classificada em:

  • Orgânica, divida a lesões ou alterações vasculares, neurológicas, hormonais ou dos corpos cavernosos;
  • Psicogénica, devida a uma inibição central do mecanismo da ereção, na ausência de qualquer alteração física;
  • Mista orgânica/psicogénica.

A disfunção erétil (DE) pode atingir 10% dos homens. Calcula-se que em Portugal, cerca de 500.000 indivíduos possam sofrer de problemas de ereção.

A ereção é uma função marcante para todos os homens e a sua perda abala física, emocional e socialmente a sua auto-estima, tornando-o cada vez mais inseguro, não só na cama como também fora dela, perturbando as suas relações com a família, com os amigos e no emprego.

Hoje, os avanços da medicina permitem tratar com êxito os indivíduos que sofrem de diminuição ou perda de rigidez peniana.

Como surge uma ereção?

A ereção é um fenómeno complexo que resulta da sucessão de acontecimentos que permitem a passagem do estado de flacidez à rigidez completa do pénis. Tem um mecanismo neurovascular "psicogénico" e "reflexogénico".

O mecanismo psicogénico resulta de estímulos sexuais (visuais, olfativos, tácteis)  que atuam ao nível do cérebro originando impulsos nervosos e a libertação de hormonas e de mediadores que contribuem para o aumento do fluxo de sangue ao nível do pénis. 

O mecanismo reflexogénico resulta da  estimulação direta do pénis e pode originar igualmente uma ereção.

Sistema Cognitivo Ups!!

Estímulo audiovisual,  táctil e/ou sensorial 

Sistema Límbico
Mesencéfalo

Estimulação do Pénis

Medula Espinal

Centros de ereção

Nervos simpáticos e parassimpáticos
Mecanismo Vascular
Ereção

Ambos os mecanismos são geralmente necessários para atingir e manter uma ereção.

Este é constituído por dois corpos cavernosos e por um corpo esponjoso, no meio do qual está a uretra por onde sai a urina e o esperma. Os corpos cavernosos são constituídos essencialmente por tecido muscular que se enchem de sangue, aumentando o comprimento  e o volume do pénis, que se torna totalmente rígido quando existe uma ereção completa. Normalmente, o pénis esta flácido e mole porque está vazio devido a haver pouca quantidade de sangue no seu interior. Quando o homem é estimulado por uma visão, um pensamento, uma leitura, um contacto físico, o cérebro envia mensagens e põe em funcionamento um mecanismo que vai originar uma vasodilatação das artérias, que se alargam e aumentam a chegada de sangue ao pénis, havendo ao mesmo tempo o bloqueio da sua saída. O pénis enche-se, fica rígido ereto.

O oxido nítrico (ON), libertado pelos neurónios não adrenérgicos não colinérgicos (NANC) ativa a guanilciclase (Gc) que aumenta a quantidade de monofosfato de guanosina cíclico (GMPc) no músculo liso dos corpos cavernosos. Os níveis aumentados de GMPc estão envolvidos no relaxamento do músculo liso que, leva a ereção peniana. O GMP e convertido em monofosfato de guanosina (GMP) pela ação da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5), finalizando a ereção.

Mecanismo de ereção peniana mediada pelo oxido nítrico/GMPc

 

 

Quais as causas da disfunção erétil?

Uma ereção resulta da atividade de uma serie de fatores psíquicos e físicos que atuam ao nível do cérebro, dos vasos sanguíneos e do sistema nervoso. Qualquer alteração que afete um dos componentes, pode causar uma perturbação da ereção. 

Durante muito tempo pensou-se que os problemas psicológicos estavam na origem de cerca de 90% dos casos de disfunção erétil permanente.

O desenvolvimento dos meios de diagnóstico e a descoberta de novos medicamentos que atuam ao nível do pénis, vieram alterar esta ideia. Atualmente sabe-se que, em mais de metade dos casos, existe um problema físico ou uma alteração orgânica, que se pode agravar psicologicamente. Nos doentes jovens é menos frequente o fator etimológico físico, predominam sobretudo fatores psicogénicos e traumáticos. Nos mais velhos está muitas vezes associado a fármacos, diabetes ou aterosclerose.

A disfunção erétil de origem física pode ser devida a várias doenças, consequência de uma intervenção cirúrgica ou de um acidente.

Condições clínicas associadas a disfunção erétil:

  • A diabetes, a hipertensão arterial, o tabaco, o aumento do colesterol, a aterosclerose podem causar a diminuição do fluxo do sangue;
  • Traumatismos da coluna e da medula, fraturas da bacia, intervenções cirúrgicas à próstata, bexiga e ao cólon, doenças neurológicas como a esclerose múltipla, podem originar lesões nervosas que interrompem a ligação entre o pénis e o sistema nervoso;
  • Também os doentes com insuficiência renal ou que tenham tido um enfarte do miocárdio, os alcoólicos e os toxicodependentes, podem ter perturbação da ereção;
  • A disfunção erétil de origem psicológica pode ser causada por stress, depressão, medo, frustração ou por doenças psiquiátricas;
  • Muitas vezes existe um número determinado de medicamentos que podem causar disfunção erétil: diuréticos, anti-hipertensores, anti-ulcerosos, anti-depressivos, anti-psicóticos, sedativos, etc.;
  • A doença de Peyronie (fibrose dos corpos cavernosos),
  • Distúrbios endócrinos, como deficiência androgénica, hiperprolactinémia e desequilíbrios hormonais graves são também possíveis causas;
  • A idade também é um fator importante. A disfunção erétil torna-se mais frequente com o avançar da idade.

Normalmente, um homem com uma disfunção erétil de origem psicológica, mantém ereções matinais antes de urinar, ao contrario daquele que sofre de um problema físico.

Exemplo de doenças que podem provocar problemas de ereção:

Doenças Físicas Doenças Psicológicas
  • Diabetes
  • AVC
  • Hipertensão
  • Lesão na coluna
  • Ansiedade no desempenho sexual
  • Problemas na relação
  • Depressão
  • Ansiedade
  • Stress
Como se diagnostica a disfunção erétil?

O médico necessita de conhecer a história médica e sexual de cada indivíduo que se apresenta a queixar-se de uma alteração sexual. Tem que se saber se o problema é de origem psicológica ou física, conhecer a identidade sexual do doente quanto aos seus desejos e relações com a sua companheira. Por vezes, é importante incluí-la na abordagem do problema.

De acordo com a história clínica e o exame físico, o médico pode propor um tratamento ou a realização de vários exames para completar a avaliação inicial. Estes, podem consistir na realização de análises gerais ou testes específicos, para conhecer o estado da circulação e o sistema nervoso. Por vezes há necessidade de realizar radiografias para completar o diagnóstico. Normalmente, é recomendável uma avaliação psicológica feita por um profissional habilitado nesta área.

Como se trata a disfunção erétil?

Em primeiro lugar é importante saber que, atualmente, existe sempre um tratamento que pode ajudar todos os que sofrem de disfunção erétil. Desde os casos menos graves aos mais complexos, existem alternativas terapêuticas que devem ser discutidas entre o médico e o doente, de acordo com a causa existente e com as perspectivas do indivíduo e do casal. Cada opção de tratamento tem vantagens, desvantagens ou efeitos secundários e, ser administrada segundo as indicações precisas para cada situação clínica. Desde fármacos por via oral, ao uso de drogas vasoativas no pénis, à utilização de dispositivos mecânicos, a terapias psicossexuais, à cirurgia para melhoria da circulação ou para implantação de uma prótese, existem atualmente diferentes alternativas que são esperança para todos os doentes com este problema de saúde.

"Tenho um problema sexual". Como vou resolvê-lo?

As alterações sexuais são frequentes e devem ser encaradas com frontalidade, para evitar conflitos a nível familiar, social e profissional.

Em primeiro lugar, devem ser assumidas e discutidas com franqueza entre o casal.

Uma diminuição da potência sexual pode provocar uma perda da confiança e o receio de falhar, pode contribuir para evitar ter relações com a companheira.

É o início de problemas de relacionamento pela dúvida da perda de interesse ou da existência de outra mulher. Há necessidade de um diálogo franco e aberto entre o casal e a procura de apoio médico. Deve-se compartilhar com a companheira as preocupações de forma a que se possa encontrar a melhor solução, que passa muitas vezes por uma melhor comunicação e por um maior carinho, que reduza a carga emocional existente.

A companheira vive também a perturbação que a afeta e, decerto, estará disposta a contribuir para uma melhoria da atividade sexual que possa normalizar a frequência das relações sexuais, com a obtenção de prazer de ambos.

Muitas vezes a necessidade de apoio psicológico obriga a terapêuticas sexuais que devem envolver os dois elementos do casal, no sentido de ajudar nos casos de desejo sexual diminuído, de ejaculação precoce, de perturbações da ereção de origem não orgânica e alterações do orgasmo ou de dificuldades de realização do ato sexual.

 

Opções Terapêuticas Atuais

Estão atualmente disponíveis varias opções de tratamento:

Terapia psicossexual

Poderá estar indicada nos doentes em que é clara a causa psicológica ou psiquiátrica  e pode muitas vezes ser combinada com terapêutica farmacológica apropriada.

Terapêutica com injeções intracavernosas

A auto-injeçao intracavernosa de fármacos farmacoterapêuticos vasoativos, como seja o alprostadil, constituiu uma inovação no tratamento da disfunção erétil no inicio da década de 80. No entanto, o tratamento é inconveniente e falta-lhe espontaneidade, sendo a dor, hemorragia local, contusão peniana e hematoma, fibrose e a ereção prolongada (por mais de 4 horas).

Terapêutica medicamentosa intra-uretral

A Injeção de alprostadil intra-uretral é também uma opção mas, menos eficaz e está associado a efeitos secundários, como dor no pénis, hemorragia uretral e certos efeitos sistémicos, incluindo hipotensão. É uma opção de segunda ou terceira linha.

Dispositivos com constrição de vácuo

Os efeitos adversos associados aos dispositivos com constrição de vácuo incluem dor no pénis, entorpecimento, contusão e ejaculação retardada.

Prótese peniana

Podem ser necessários na falha erétil secundaria a doenças penianas intrínsecas graves, tais como a fibrose corporal resultante de um priapismo de baixo fluxo não tratado ou associado a diabetes mellitus grave. Estão, no entanto, associados a potenciais complicações, como infecções, erosão da prótese e falha mecânica. É um ultimo recurso.

Cirurgia da artéria ou da veia peniana

 

Fármacos de Administração Oral

Atualmente, nenhum fármaco oral é apropriado a todos os tipos de doentes. As opções atualmente existentes são:

  • Yohimbina
  • Pycnogenol (extrato de casca de pinheiro) + taurina + aspartato de arginina.
  • Citrato Sildenafil
  • Cloridrato de Vardenafil
  • Cloridrato de Tadalafil
  • Cloridrato de Apomorfina

 

Cloridrato de Yohimbina

E um medicamento natural com eficácia clinica limitada, atua sobretudo como fortificante. E muitas vezes associado ao Ginseng que também e um fortificante natural. Deve ser tomado continuamente para obter resultados.

Mecanismo de ação:

O cloridrato de Yohimbina é um antagonista seletivo dos receptores a2 adrenérgicos. Produz uma vasodilatação do corpo cavernoso do pénis, que associada a um aumento temporário da pressão sanguínea, restaura a função erétil no homem.

Posologia:

A dose é de 6mg 3 vezes ao dia ou começar com uma toma diária e aumentar até três vezes por dia.

Efeitos secundários:

Desconforto gástrico

Contra-indicações:

Alergia ao extrato da casca de pinheiro. Problemas de estômago.

Interações:

Não tomar juntamente com outros medicamentos para a disfunção erétil.

 

Pycnogenol + taurina + aspartato de arginina

E um medicamento natural com eficácia clinica limitada.

Mecanismo de ação:

Estimula a síntese do óxido nítrico endotelial. Diminuí a constrição arterial e, consequentemente, facilita a circulação sanguínea no pénis.

Posologia:

2 comprimidos por dia ou mais.

Efeitos secundários:

Em doses elevadas pode provocar nervosismo, irritabilidade, insónias, tremores, cefaleias, náuseas, diarreia, hipotensão ortostática, taquicardia e priapismo.

Contra-indicações:

Insuficiência renal e hepática e hipertensão.

Interações:

Não  se devem associar drogas a miméticas com efeito sobre o S.N.C..

 

Medicamentos de Receita médica obrigatória:

SildenafilVardenafil
TadalafilApomorfina

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Página da autoria de Laurentino Moreira (farmacêutico) - Última atualização em 18-out-2016