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SIDA

O que é?

A SIDA é o síndroma da imunodeficiência adquirida. É provocada pelo vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) cujo modo de transmissão é através de relações sexuais, pelo contacto direto do sangue e de mãe para filho.

O VIH afeta o sistema imunológico, destruindo as defesas da pessoa infectada (seropositiva) e deixando-a sensível a infecções oportunistas que vulgarmente não afetam as pessoas com o sistema imunológico funcional.

A SIDA evolui de modo diferente de pessoa para pessoa e manifesta-se numa fase mais avançada por perda de peso, tumores, como o sarcoma de Kaposi, pneumonias, candidíase, etc.

Breve história

1978
Homossexuais na América e Suécia e heterossexuais na Tanzânia e Haiti começam a mostrar sinais do que seria mais tarde denominado de SIDA.
1980
31 casos mortais nos Estados Unidos da  América.
1981
Nos EUA nota-se um aumento alarmante de Sarcoma de Kaposi (cancro de pele raro) em homossexuais. A doença é primeiro chamada de "gay cancer" e, mais tarde, foi identificada por GRID ("Gay Related Immuno Deficiency"), antes de se perceber que podia afectar todas as pessoas, independentemente do sexo, orientação sexual, estado de saúde ou localização geográfica.
1982
É usado pela primeira vez o termo AIDS ("Acquired Immune Deficiency Syndrome"). Não se sabe qual é o agente causador da doença. O número de diagnósticos positivos assim como o número de mortes aumenta exponencialmente.
1983
O Instituto Pasteur (França) descobre o vírus VIH. Surgem os primeiros centros de apoio, prevenção e educação de pessoas infectadas com VIH. Os casos são cada vez mais.
1984
Nos EUA são já diagnosticados 11055 casos de SIDA e 5620 mortes relacionadas.
1985
O primeiro teste anticorpo HIH/VIH é aprovado pela FDA ("Federal Drug Administracion"). Os produtos à base de sangue começam a ser testados. Realiza-se a Primeira Conferência Internacional sobre SIDA. Realiza-se o primeiro filme com a temática da SIDA: "The Normal Heart" de Larry Kramer.
1986
Surgem as primeira vozes pela educação sexual. Programa sobre a SIDA surge na BBS (Canal de televisão dos EUA).
1987
A primeira droga para tratamento da SIDA é aprovada pelo FDA: AZT (Zidovudine) da Glaxo Wellcome. A dose é de 100mg de 4/4h. O Canadá interrompe a distribuição de sangue. Os EUA não deixam entrar emigrantes contaminados por VIH. Depois de uma manifestação do ACT-UP ("AIDS Coalitaion To Unleash Power") o FDA anuncia a redução de dois anos no processo de aprovação de novas drogas para o tratamento da SIDA.
1988
O Governo dos EUA distribui folhetos informativos sobre a SIDA. O Trimetrexato é a primeira droga para a SIDA a ter a sua distribuição pré-aprovada sob as novas normas de tratamento. Foi usada para o tratamento de pneumonia por Pneumicytis carinii em doentes com SIDA que não toleram formas padrão de tratamento. Intron A e Roferon A (injecção de interferon-alfa humano) é licenciada para tratamento do Sarcoma de Kaposi. Aprovado o ganciclovir para tratamento de Cytomegalovirus renitis.  A OMS (Organização Mundial de Saúde) designa o "Dia Mundial da SIDA": 1 de Dezembro
1989
NebuPent (aerossol de Pentamidine) é aprovado para prevenção de pneumonia. Cytovene (ganciclovir) aprovado para tratamento de infecção retinal por citomegalovírus. Dideoxinosine (ddl) usado em doentes intolerantes ao AZT. É autorizado o primeiro kit diagnóstico para detectar a presença do VIH-1 através de proteínas ou antígenos do vírus.
1990
1984 66 casos de SIDA nos EUA e 121 255 mortes.
1991
Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) existem 10 milhões de infectados em todo o mundo. A ddi (didanosine, Visex), um inibidor do vírus, dos laboratórios Bristol-Myers Squibb é aprovado nos EUA.
1992
DDC (zalcitabine, Hivid) da Roche é o novo inibidor aprovado nos EUA.
1993
O governo dos EUA revê a definição de SIDA  e das novas infecções oportunistas. É aprovado o preservativo feminino. A FDA recusa-se a permitir o teste para sexo anal por ser ilegal em muitos estados dos EUA. Oficiais franceses são presos por permitirem o uso de sangue contaminado nos bancos de sangue.
1994
O d4t (Zerit) da Bristol.Myers Squibb, um novo inibidor do vírus é aprovado.
1995
Saquinavir (Invirase) da Roche é aprovado nos EUA. São presas quatro pessoas na Alemanha por venderem sangue contaminado.
1996
São aprovadas as seguintes novas drogas: Nevirapine (Viramune) dos laboratórios Roxane; Ritonavir da Abbott e Indinavir da Merck. O Japão processa a Green Cross Pharmaceutical Corp. por comercializar sangue contaminado. Descobre-se que o Sarcoma de Kaposi é causado pelo vírus herpes.
1997
22 milhões de infectados em todo o mundo e 6 400 000 mortes causadas pelo SIDA desde o seu aparecimento.
1998
FDA aprova o abacavir (Ziagen) para adultos e crianças.
1999
FDA promete acelerar a aprovação do amprenavir, para uso em crianças maiores de 4 anos, adultos e idosos, em combinação com outros antiretrovirais.
2000
FDA acelera a aprovação do Kaletra, um inibidor para Adultos e crianças maiores de 6 meses de idade com VIH, assim como do Trizivir para tratamento em adultos  e adolescentes.
...

 

O vírus da SIDA

O vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) é um lentivírus da família dos retrovírus. É constituído  por ácido ribonucleico (ARN) e um envelope de proteínas.

Estrutura do Vírus VIH

Todos os vírus desta família são encontrados nos primatas não humanos, à exceção do VIH. Existem várias teorias sobre o aparecimento deste vírus. De entre elas a de que evoluiu a partir do vírus da imunodeficiência símia.

 Existem dois tipos de vírus. O VIH-1 é o tipo de vírus mais predominante, enquanto o VIH-2 é de mais difícil transmissão e demora mais tempo a desenvolver a infecção.

Dentro do tipo VIH-1 existem vários subtipos que se designam por letras. O subtipo B é o predominante nos países desenvolvidos e está associado à transmissão entre homossexuais e toxicodependentes intravenosos (contágio através do sangue). Os subtipos C e E estão ligados à transmissão heterossexual, através do contacto entre mucosas e predomina nos países subdesenvolvidos.

Fora do organismo humano o vírus não sobrevive mais do que uma hora, mas permanece mais tempo no sangue coagulado.

A infeção:

Atingida a corrente sanguínea o vírus infecta os linfócitos T4 (células CD4) que fazem parte do sistema imunológico e são responsáveis pela resposta do organismo às doenças. Ao penetrar na célula transforma o ARN em ADN pela enzima transcriptase reversa, podendo dessa forma replicar-se e destruir-la. Podem passar-se algumas semanas até que o organismo comece a produzir anticorpos. O vírus origina diariamente 10 milhões de novos vírus que infectam as células CD4. O organismo responde com a produção de novas células, mas acaba por não aguentar o ritmo e a contagem de células CD4 baixa. Se a contagem de células CD4 for inferior a 200 unidades por mililitro de sangue diz-se que o seropositivo passou a ter SIDA.

Ciclo do vírus VIH.

Ação dos medicamentos

Os medicamentos disponíveis para o tratamento da infecção por VIH atuam em passos da vida do vírus, inibindo a  a replicação e a infecção de novas células. Esta terapêutica resulta no atraso da evolução da doença pela prevenção da destruição do sistema imunitário.

A terapêutica com medicamentos anti-retrovirais permitiu controlar o avanço da doença transformando-a numa doença crónica quando o tratamento é cumprido de forma correcta.

Os inibidores nucleósidos da transcriptase reversa (NITR) e os inibidores não nucleósidos da transcriptase reversa (NNITR) impedem a transcrição reversa, impedindo que novos vírus sejam produzidos. Os NITR impedem a produção de ADN vírico porque se incorporam no novo ADN em formação, terminando a cadeia antes de finalizada. Os NNITR ligam-se à transcriptase reversa bloqueando-a, impossibilitando a produção de ADN vírico. Os dois tipos de inibidores da transcriptase não matam o vírus, apenas impedem a produção de novos vírus.

Os inibidores da protease impedem a protease de libertar as proteínas estruturais e dessa forma que os vírus amadureçam e se tornem infecciosos.

Os inibidores da fusão impedem que o vírus se ligue às células CD4.

Sintomas

A fase aguda da infecção ocorre entre uma a quatro semanas após o contágio. Algumas pessoas apresentam sintomas semelhantes a uma gripe: febre, dores de cabeça, dores de estômago, dores musculares e nas articulações, fadiga, dificuldade em engolir e prurido. Pode ocorrer perda de peso e mobilidade passageira dos braços e pernas. Ao fim de uma a três semanas os sintomas desaparecem como resultado da reação do sistema imunitário.

Segue-se um período em que não há qualquer sintomatologia, embora o vírus continue a multiplicar-se no organismo.

 

Diagnóstico

O diagnóstico faz-se por análises sanguíneas para detectar a presença de anticorpos anti-VIH. Estes apenas são detectados três a dez semanas após a fase aguda. Nas primeiras semanas não há certezas quanto ao resultado na análise. O teste deverá ser repetido três semanas após a primeira análise.

O período que vai desde a infecção e a detecção no sangue de anticorpos anti-VIH chama-se de "período janela".

Os testes usados são o ELISA («Enzime Linked Immuno-Sorbent Assay») e «Western Blot» para confirmar o resultado.

Para avaliação sobre o estado da doença ou reação aos tratamentos são realizados testes de carga vírica no sangue e contagem de células CD4. 

Uma pessoa saudável tem entre 500 e 1500 células CD4 por mililitro de sangue. As pessoas com SIDA têm menos de 200 células CD4 por mililitro, o que as torna mais vulneráveis a outras doenças oportunistas.

Evolução da doença

Contágio

O contágio faz-se pelo sangue, sémen, fluídos vaginais, leite materno e fluídos pré-ejaculatórios dos seropositivos.

A forma mais perigosa de transmissão é através de seringas com sangue contaminado, já que o vírus entra diretamente na corrente sanguínea.

Nas relações heterosexuais é mais comum passar do homem para a mulher, do que o contrário. O contágio pode ocorrer em todos os tipos de relação, seja vaginal, anal ou oral, pois as secreções vaginais ou o esperma poderão facilmente entrar em contacto com pequenas feridas e cortes existentes. As relações sexuais com mais riscos são as anais.

Da mãe para o filho o vírus pode ser transmitido durante a gravidez, o parto ou através da amamentação.

O VIH pode encontrar-se nas lágrimas, suor e na saliva de uma pessoa infectada, contudo, a quantidade de vírus é demasiado pequena para conseguir transmitir a infecção.

A transmissão por transfusão de sangue ou derivados apresenta atualmente poucos riscos, pois são feitos sempre os testes de detecção  ao sangue dos dadores.

Durante a fase aguda da infecção existe grande risco e contágio devido à elevada carga viral existente no sangue.

Prevenção

Nas relações sexuais usar sempre preservativo.

Não partilhar agulhas, seringas, material usado na preparação de drogas injetáveis e objetos cortantes (agulhas de acupuntura, instrumentos de tatuagens e piercings, lâminas de barbear, material de cabeleireiro e manicura)

Comportamentos de risco:
  • Toxicodependentes que se injetam e partilham seringas e outros materiais na preparação das drogas.
  • Pessoas que têm vários parceiros sexuais e não usam preservativo nas relações sexuais.
  • Profissionais de saúde que lidam com objetos cortantes, com o sangue ou outros líquidos orgânicos.

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Página da autoria de Laurentino Moreira (farmacêutico) - Última atualização em 18-out-2016